
A advogada criminalista Odinete Maranhão assumiu a defesa de Evani Lucena, principal suspeito de assassinar a jovem Cláudia Gomes, no sítio São Bento, próximo ao distrito de Santa Gertrudes, em Patos – PB.
Odinete explicouem entrevista ao Jornal Notícias da Manhã que recebeu críticas e se defendeu das acusações dizendo que assumiu a causa por ter se especializado na área.
“É uma área do direito na qual eu me especializei e decidi seguir profissionalmente. Não é o fato de ter sido uma mulher, é o fato que eu como advogada exerço um papel essencial perante a justiça”, explicou Odinete.
Ela também disse que não se sente diminuída pelas críticas recebidas após ter assumido a causa. “Eu não estou defendendo o réu, mas os direitos do réu, previstos na Constituição Federal e no Código de Processo Penal”, acrescentou.

Em relação ao andamento do processo, Odinete Maranhão disse que antes de assumir o caso teve uma conversa reservada com Evani, que segundo ela, se mostrou disposto a se apresentar a autoridade policial em função do ocorrido.
“Ouvi a história do começo ao fim, alertei pelo fato de que é um crime que não é aceito pela sociedade, e entrei em contato com o delegado para sua apresentação”, relatou Odinete.
A bacharela disse que a apresentação do acusado trás para ele o atenuante previsto no código penal, e relatou que Evani pretende cumprir a pena prevista na lei, para o crime hediondo praticado, ou seja, ele irá se declarar culpado.
Ela explicou que Evani se encontra preso por 30 dias, mediante decretação temporária que deverá ser prorrogada, e ficará aguardando a intimação da justiça para resposta a acusação, até chegar a realização de uma audiência de instrução e do juri popular.
O assassinato de Cláudia Gomes
Na terça-feira, 13 de abril de 2021, Cláudia Gomes teria ido até a cidade de Patos-PB fazer compras e deixado seus filhos com sua mãe que reside próximo ao Sítio São Bento. E ao retornar e pegar as crianças, se dirigiu até sua casa.
Segundo a Polícia Civil, Evani, seu ex-marido, já estava esperando ela com a intenção de cometer um crime. Cláudia, que tinha 29 anos, recebeu cerca de 10 facadas e chegou a ser socorrida para o Complexo Hospitalar Regional de Patos, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu por volta das 14 horas do mesmo dia.
Após o acontecido, o suspeito fugiu. O crime aconteceu no Sítio São Bento, Distrito de Santa Gertrudes, na Zona Rural de Patos, na Paraíba.
O casal, que residia no Distrito de Santa Gertrudes, havia se separado recentemente. Cláudia havia se mudado para o Sítio São Bento, onde vive sua família. O casal deixa duas filhas pequenas, autistas, que vem sendo cuidadas por familiares. Ela deixa também uma filha de um relacionamento anterior.
A morte de Cláudia foi o terceiro feminicídio registrado em 48 horas naquele período na Paraíba.
Segundo o delegado Galdêncio Neto, da delegacia de homicídios, Evani Lucena, de 53 anos, ex-companheiro de Cláudia, estaria inconformado com a separação. Cláudia havia rompido o relacionamento pois não aguentava mais as agressões por parte do marido.
A Polícia Civil iniciou diligências na zona rural de Patos, Santa Gertrudes e Malta, onde Evani provavelmente teria se refugiado, pois tem familiares na região. Porém a polícia não teve êxito em sua captura inicialmente.
No domingo, 25 de abril, Evani se apresentou na presença de um advogado na Delegacia de Polícia Civil, em Patos. E agora terá como advogada Odinete Maranhão.
O Poder Judiciário já havia expedido ordem de prisão contra Evani Lucena, que estava se escondendo nos sítios próximos de Malta, Condado e também Patos.