
Engrosso as estatísticas, de filhos que dispõe no Registro Civil de Nascimento, a expressão no campo paterno – Pai não Declarado.
Óbvio que durante muito tempo em minha vida, convivi com a célebre pergunta: quem é seu pai, juro que isto nunca foi para mim, uma abantesma.
A ausência da investigação de paternidade, não me fez perturbado, conflituoso ou traumatizado neste âmbito afetivo, respondia sempre que minha mãe cumprirá com maestria, a figura de pai.
E, olhe que imbuída da personagem de pai, minha mãe, encarnava, a voz forte, o pulso firme e a retidão que por vezes são atribuídas à figura masculina.
Nunca quis saber muito das histórias, poucas e desprezíveis que delineavam a figura de meu pai, embora saiba que o dito cujo existira de fato, nunca quis saber de direito.
Mesmo quando criança, na famigerada festa dos pais, saía sempre pela tangente, deixando um ar de mistério, sem descontentamento.
No Brasil, faço parte dos números estatísticos dos que não dispõem do nome do pai no Registro Civil, embora, por lei saiba que a investigação de paternidade é uma garantia civil.
De que me adiantaria a imposição ou posicionamento do nome paterno num documento, sem a devida inclusão do vínculo, do sentimento, dos laços afetivos e emocionais.
Sigo, sem nenhuma alteração documental, sem demandas paternais e refletindo como tantos o fazem neste dia comercial, criado para homenagear o ser “Pai” – paradoxalmente questionando: “Paternidade – mito ou fake?!?”
Carlos Ferreira da Silva | Contexto News
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