
Não identificado pela ciência, o transtorno de aversão ao próprio aniversário, acomete poucos indivíduos, me incluo nesta estatística intragável.
Desde pequeno nunca fui afeito a data de meu natalício, talvez porque na época fosse hipossuficiente (não que tenha crescido na pirâmide social), mas tudo muda o tempo todo no mundo, diz o poeta.
Via algumas poucas crianças de meu entorno comemorarem com festa seu nascimento, com direito a bolo, refrigerante e o disco da Xuxa tocando os parabéns efusivos, achava uma chatice sem precedentes.
Deixo claro que nunca fui traumatizado ou invejoso para com festa nenhuma, contudo, minha mãe sempre ensinou que o importante era celebrar o dom da vida, e obviamente comer uma galinha de capoeira, tradição que mantemos até hoje.
O núcleo familiar diminuto, só minha mãe, irmã e eu talvez explique boa parte deste comportamento social, a troca de presentes – tipo só uma “lembrancinha” aguçava meu imaginário.
O tempo passou, cresci e comigo estas crenças foram determinantes para concepção de minha personalidade, hoje em plena metade de meu existir, carrego intacta esta visão, intocável.
Psicologicamente, haverão de dizer que tenho transtorno de ansiedade social, frustração, aversão ou qualquer outro déficit, eu me vejo, absurdamente anormal, na normalidade.
Para desmistificar um pouco deste “Transtorno Anti-natalício” criei de comum acordo comigo mesmo uma lista de presentes que afixei nas redes sociais, para facilitar os desavisados sobre a efeméride.
Sobressai, de tudo isto, uma certeza: “viver é bom mas dá trabalho”. Os boletos vencem, o calendário não pára, o tempo ruge como um feroz leão.
Carlos Ferreira da Silva | Contexto News
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