
Às margens do Ipiranga, de espada em punho, Dom Pedro I proclama a Independência do Brasil, com a célebre frase: “Independência ou Morte?”
Eis, portanto, o grande e ledo engano da história.
Os bastidores que levaram ao ato cívico e republicano, escondia na verdade, a grande fake news de uma “independência tupiniquim”, que por ser incompleta carrega até hoje um tom bélico e militarista de sua celebração.
Romper com a Coroa Portuguesa e inaugurar uma nova fase do Brasil como país soberano, foi a base das pesquisas do artista plástico, Pedro Américo ao retratar o famoso quadro – ‘O grito da Independência’.
Sempre me intrigava nas aulas de história, a obra imortalizada e representativa e, juro, ainda hoje passados 203 anos, olho com os mesmos olhos de desconfiança para uma pretensa ‘Independência’, que se ganha no grito, numa conjunção de poder político e militar, nem tão libertário ou revolucionário, quanto parece.
As páginas dos livros de história, não mentem, elas desenham ou pintam aquilo que se almeja perpetuar: cavalos, militares, nobreza, rompimento colonial e estreia institucional de um país livre, sem amarras fiscais monárquicas que depredaram nossas riquezas naturais.
Será mesmo este o pano de fundo histórico ou contemporâneo da efeméride do Dia 07 de setembro. Outrora, tínhamos a Colônia e sua ganância e, agora para rasgar o verbo e defender a pátria mãe gentil, rogamos contra o tarifaço tributário dos EUA.
Dom Pedro I não tinha a mídia, a Imprensa, as redes sociais, a massa ao seu lado, nem partido político com tempo de tv e rádio, do peito tirou as insígnias da realeza e nós, seguimos com bandeira verde em punho, feriado nacional, revista às tropas e o silêncio sepulcral, sem muita independência, com muitas mortes e pouco grito de inconformidade.
Como prólogo desta data, nos assalta a inteligência, único bem que ainda nos resta para dizer aos quatro cantos do desfile dos gritos dos excluídos : “Independência – o grito rouco inaudível da liberdade”.
Carlos Ferreira da Silva | Contexto News
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