
A tarde deste domingo (7) foi de trabalho para o governador João Azevêdo (Cidadania) e representantes dos Ministérios Públicos Federal e Estadual, Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas do Estado, Assembleia Legislativa e o Prefeitura de Campina Grande. No encontro virtual, eles discutiram o aumento de casos de Covid-19 na Paraíba e a necessidade de evitar uma maior propagação da doença.
Os dados da 20ª Avaliação do Plano Novo Normal direcionou a pauta do grupo, que mesmo diante da ampliação da oferta de leitos de enfermaria e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em todas as macrorregiões de Saúde, estuda a possibilidade de enrijecer as medidas contra a propagação do vírus. Com a última avaliação, não há mais municípios paraibanos na bandeira verde e apenas quatro estão na bandeira amarela, uma redução de 97% em relação à avaliação anterior.
“Mesmo com a abertura de novos leitos, estamos no pico da pandemia e precisamos ter uma clareza da fase diferente e difícil que estamos atravessando. As nossas ações devem levar em consideração o espírito de humanidade, de solidariedade, com respeito aos setores econômicos e com foco na vida. Nós devemos ter a visão de que a Paraíba toda precisa fazer esse enfrentamento, só assim, vamos vencer esse momento”, afirmou o governador.
Na reunião, os gestores decidiram manter o diálogo para discutir as ações de enfrentamento da pandemia na Paraíba. Uma alternativa discutida foi o fechamento de serviços não essenciais aos fins de semana, no entanto nada foi definido. A possibilidade de um lockdown neste momento foi descartada.
Prefeito de Campina questiona dados da avaliação
O prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima (PSD), disse em uma live ainda na noite deste domingo, que a cidade não deve ter lockdown, e ainda disse que os dados da avaliação estão sendo questionados. Disse que é inegável que Campina tenha um situação diferenciada em relação a outras cidades e regiões, já que, devido ao trabalho do município, tem tido uma das menores letalidades do estado.
Bruno disse que na próxima terça-feira (9) terá uma reunião com o Ministério Público e outras entidades, e deverá questionar o chamado “Fator R”, que aponta, segundo o Governo do Estado, um fator de infecção maior que o do estado e que João Pessoa, à beira do colapso.
O fator, de 1.5 em Campina, demonstra que, a cada 100 pessoas, 115 novas pessoas estariam sendo infectadas. Mas Bruno questiona o dado.
“Não vai ter lockdown em Campina, porque nós estamos questionando os dados, porque a reunião não foi decisiva. Nós não estamos simplesmente questionando uma mudança de bandeira, isso não é birra política, não é a cidade batendo o pé. Na verdade, o que estamos questionando, e é a cidade que está questionando isso, é como é que os pais e as mães de família, como as pessoas vão colocar comida na mesa no final do mês se tudo parar”, afirmou.
Boletim do Domingo
O boletim epidemiológico da Covid-19 deste domingo, divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde, aponta que foram 1.218 novos casos registrados nas últimas 24h, além de 23 novos óbitos confirmados.
Agora, a Paraíba totaliza 229.194 casos confirmados da doença, que estão distribuídos por todos os 223 municípios. Com isso, o estado totaliza 4.679 mortes. Até o momento, 670.311 testes para o diagnóstico da Covid-19 já foram realizados.
O boletim registra ainda um total de 165.212 pacientes recuperados da doença.
Ocupação de leitos Covid-19
A ocupação total de leitos de UTI (adulto, pediátrico e obstétrico) em todo o estado é de 75%. Fazendo um recorte apenas dos leitos de UTI para adultos na Região Metropolitana de João Pessoa, a taxa de ocupação chega a 88%. Em Campina Grande estão ocupados 70% dos leitos de UTI adulto, e no sertão, 80% dos leitos de UTI para adultos já estão comprometidos. De acordo com o Centro Estadual de Regulação Hospitalar, 73 pacientes foram internados nas últimas 24h, este foi o maior número de internações ao dia desde o início da pandemia.
Nas últimas 24h também ocorreu a ampliação de 69 leitos Covid. Foram 15 leitos de UTI e 31 de enfermaria na 1ª Macrorregião; Na 2ª Macrorregião, 20 leitos de UTI, sendo 10 no Hospital de Clínicas e 10 no Hospital Universitário Alcides Carneiro, e 3 leitos de Enfermaria no Hospital de Clínicas.
Ray Santana | TV Contexto