
A decisão histórica do Senado Federal na noite desta quarta-feira (29) trouxe um gosto amargo para o Governo Lula, que não engoliu a derrota. Interlocutores comentavam nos bastidores sobre uma possível vitória com placar apertado, mas não imaginavam a derrota no plenário. A decisão instaurou uma crise.
O Governo iniciou então uma defensiva contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil/AP), que deve resultar na demissão em massa em cargos indicados pelo senador em ministérios e outros aparelhos públicos. O presidente da Casa teria articulado 12 votos a mais aos 30 votos levantados pela oposição, chegado ao placar de 42.
Desde 1894 não havia uma derrota de indicação do presidente da república ao Supremo Tribunal Federal no Senado Federal em 132 anos. Antes desse período, apenas cinco indicações feitas pelo então presidente da República foram derrubadas pelos senadores. Todas as rejeições ocorreram em 1894, no governo do marechal Floriano Peixoto. O STF foi criado em 1890, após a Proclamação da República.
Nos bastidores do Supremo corre que os magistrados também teriam ficados atônitos com o resultado que mostrou a força da articulação do Senado, representando um risco ao STF.
A oposição já vê a derrota como a possibilidade de extensão das vitórias no Senado com o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, como declarou em entrevista o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Uma nova indicação precisará ser validada novamente pelo Senado, e com o processo eleitoral se aproximado, não há expectativa de nova indicação ainda esse ano. O STF continua operando normalmente com 10 ministros.
Ray Santana | Contexto News
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