
Quando o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foi embora para os Estados Unidos, o plano já estava traçado: articular internamente no Governo Americano possíveis intervenções para evitar a prisão do pai e ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de estado.
A articulação do deputado fez com que Donald Trump anunciasse um tarifaço de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. A medida será respondida com reciprocidade, conforme declarou o presidente Lula. Mas a decisão vem embasada em uma carta altamente política e intervencionista ao Governo Brasileiro.
Agora, o plano segue em tramitação. A ideia é levar a discursão para o Congresso, como forma de pressionar a aprovação da anistia. A pauta, até então não votada, não saiu da mesa do presidente da Câmara Hugo Motta, que já vinha discutido uma versão alternativa com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil). A ideia é não assanhar o Supremo Tribunal Federal para evitar possíveis retaliações, mas reduzir os impactos das penas e beneficiar o ex-presidente acusado de golpe. Com a decisão do presidente americano, a influência sobre a votação da pauta aumenta.
Nesse momento, o senador Flavio Bolsonaro (PL), articula em casa a votação da pauta a partir da pressão do tarifaço. No entendimento do senador à Globo News, essa seria uma espécie de “contrato de adesão” para alinhamento aos Estados Unidos. Ele ainda definiu como “insanidade” a reciprocidade do Brasil e disse que se se o problema persistir “as sanções virão, e quanto mais demorarmos a resolver, mais tempo elas durarão ou serão aumentadas”.
A ofensiva representa uma tentativa explícita de controle estrangeira nos rumos da soberania brasileira, com objetivos claros: livrar Jair Bolsonaro da Justiça e instrumentalizar a política nacional em favor de interesses pessoais. O discurso da Família Bolsonaro se alinha a síndrome de cachorro vira-lata, em um sentimento de inferioridade a outros países, principalmente, aos Estados Unidos e sua hegemonia econômica.
O que a ala bolsonarista tem oferecido em troca desse apoio pouco sabemos, mas uma coisa é certa: esse favor não é gratuito.
Ray Santana | Contexto News
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