
Uma imagem cruel e dolorosa rodou o mundo nos últimos dias, acendendo a chama da insensibilidade humanitária.
A brasileira, Juliana Marins, caída num precipício entre a aventura às margens de um vulcão e a pretensa negligência de seu resgaste, clamava num grito não audível por socorro, um sussurro entre a dor e a indiferença.
Uma curiosidade, uma queda, um passo em falso e inerte na boca do vulcão adormecido na Indonésia, ela sofria seu calvário pessoal.
Os dias belos de sua descoberta entre paisagens bucólicas e fenômenos naturais, encontrara naquele vulcão sua parada, uma espécie de via cruz, sem cruz nem piedade.
Subir a montanha sempre remete à busca pelas coisas do alto, referência quase biblíca do encontro com o ser criador, que neste caso da brasileira se fundiu numa epopéia real de morte e de vida.
Calado, sem atividade vulcânica, o velho e temível vulcão silenciou enquanto era testemunha e ao mesmo tempo, palco, daquela cena de uma mulher caída. Os dias passavam e a aflição se apoderava de toda uma nação, implorando aquele socorro.
Sem movimentos bruscos, sofrendo de um traumatismo e hemorragias internas nos órgãos, a alpinista escalou o mais alto grau da dor humana: a insensibilidade e a negligência.
O socorro não vinha. O tempo contava a seu desfavor e, por fim, quando se decidiu ao quarto dia seu resgate, entre lavas e lágrimas se esvaiu sua vida.
E, se não fosse bastante a dor da perda, o destino ainda reservava atos ainda mais tétricos : a autópsia e o translado do corpo de Juliana, esbarram numa rocha ainda mais dura – a burocracia das leis brasileiras quanto ao custeio de seu féretro para descansar como cantamos no hino nacional – “deitado eternamente em berço esplêndido”, tendo direito a um velório digno e uma sepultura nas profundezas do solo desta terra que nem sempre é de Santa Cruz.
Carlos Ferreira da Silva | Contexto News
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