
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pautou nesta quarta-feira (25) a votação de um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que visa revogar o novo decreto do IOF, surpreendendo lideranças governistas e parte da base aliada, que ainda não haviam sido informados oficialmente. A decisão foi anunciada pelo próprio Motta via postagem nas redes sociais na noite de terça-feira (24).
Pastas da articulação política, como a ministra Gleisi Hoffmann, e o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), descobriram o anúncio apenas pelo X, antigo Twitter, e não chegaram a ser comunicados diretamente. Em reação, Gleisi convocou líderes aliadados no Palácio do Planalto para alinhar a estratégia de resposta.
O PDL teve urgência aprovada em 16 de junho por 346 votos favoráveis — ultrapassando os 257 necessários — sinalizando força do Congresso para derrubar o decreto. Com a urgência, o texto já pode ir direto ao plenário, sem passar por comissões. A pauta de quarta inclui outros projetos importantes, como MP de habitação e isenção do Imposto de Renda até dois salários mínimos.
Apesar da iniciativa, governistas afirmam que o tema é “sério demais” para uma sessão virtual, quando muitos deputados estão fora de Brasília por causa do São João Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu o decreto, alegando que o IOF corrige injustiças fiscais e combate a evasão por parte dos mais ricos.
A atitude de Motta também foi vista como uma demonstração de desgaste na relação entre Câmara e Governo, em meio a críticas por atraso no repasse de emendas parlamentares. A oposição e parte da base enxergam na medida uma tentativa de medir forças com o Executivo.
Ray Santana | Contexto News

