
No dia 16 de março, por volta das 22 horas, segundo o delegado Galdêncio Neto, titular da delegacia de homicídios de Patos, a delegacia foi acionada em Santa Luzia para atender uma ocorrência sobre narcóticos pela Polícia de Sergipe.
Osvaldo Resende Neto, delegado do Departamento de Narcóticos do Estado de Sergipe (DENARC) informou a ele que estava realizando uma investigação com uma quadrilha de tráfico de drogas que possui várias ramificações no estado.
A equipe já estava em operação à vários dias nos estados do Ceará e do Rio Grande do Norte. Lá, ele teria recebido a informação que haveria um carregamento em Santa Luzia para ser distribuído para essas regiões.
O delegado sergipano achou ser um lugar estratégico e levou a equipe para verificar. Montaram uma barreira policial, pois não tinham informações sobre as características do veículo ou dos condutores.
Abordagem da vítima pela polícia de Sergipe
Ao iniciar a abordagem, na entrada de Santa Luzia, o próprio delegado parou um veículo de cor vermelha. Teria pedido ao condutor do veículo para acender a luz interna e ele teria informado que estava quebrada. O delegado se aproximou e percebeu um volume metálico entre as pernas do condutor.
Nesse momento, o homem, que se chamava Gefferson de Moura Gomes, fez um movimento em direção às pernas. Então o delegado fez disparos na vítima, que foi levada ao hospital para receber socorro.
Em seguida, Osvaldo apresentou na delegacia o veículo da vítima e a delegacia de Patos já periciou o veículo nessa madrugada. Ele também apresentou a sua arma de fogo e a arma de fogo da vítima, que foram apreendidos e encaminhados para perícia. Um inquérito policial foi instaurado.
Controvérsias no relato dos policiais
No entanto, na tarde desta quarta-feira, dia 17, a perícia do Instituto de Polícia Científica (IPC) de Patos não encontrou marcas de bala no carro do empresário Gefferson Moura, o que revela a hipótese de o rapaz ter sido baleado fora do veículo.
Segundo informações, Gefferson tinha 32 anos, era empresário, advogado em João Pessoa e não teria passagem pela polícia. Ele estaria viajando sozinho para Cajazeiras, sua cidade natal, para acompanhar os pais que estão internados com Covid-19. Ele pretendia pegar o pai e levar para ser internado em João Pessoa.
O rapaz teria sido deixado já sem vida, por volta das 22 horas, no saguão do hospital Sinhá Carneiro em Santa Luzia, por policiais civis que se identificaram como sergipanos. A equipe médica confirmou que o rapaz havia ido à óbito, mas os policiais já haviam ido embora. Eles ainda afirmaram que havia acontecido uma troca de tiros.
Apreensões e investigações
A delegacia de Patos apreendeu uma arma de fogo utilizada pelo delegado sergipano e outras duas pistolas ponto quarenta, pertencentes a vítima, que foram encaminhadas para perícia, juntamente com dois projéteis que estavam dentro do veículo e uma cápsula.
Já foi encaminhado o pedido de confronto balístico, de realização da coleta do DNA, o exame cadavérico (de onde provavelmente extrairão mais projéteis). Também foi pedido a coleta de material genético da pistola que seria da vítima.
O delegado finalizou dizendo que será instaurado um inquérito policial para apurar as circunstâncias que motivaram o crime e serão realizadas outras diligências.
Versões das Polícias Civil e Militar
O delegado Sylvio Rabelo em entrevista explicou que a Polícia Civil de Sergipe vinha seguindo um grupo criminoso responsável por roubos a bancos e roubos de cargas.
Eles avisaram à polícia paraibana que estariam realizando a operação apenas uma hora antes de deixar o corpo do rapaz na porta do hospital.
Segundo ele, os policiais paraibanos tentaram se integrar à operação, mas ao chegarem ao local a situação já havia saído de controle. A Polícia Civil paraibana foi investigar a conduta dos sergipanos.
O tenente coronel Rômulo, comandante do 3º Batalhão de Polícia Militar, confirmou ao Patosonline.com que nenhum pedido de apoio foi solicitado à Polícia Militar da Paraíba na operação.
O coronel disse que a informação chegou ao conhecimento do 3º BPM após a consumação da morte de Gefferson, que trafegava na BR-230.
“Nós da Polícia Militar do Estado da Paraíba tomamos conhecimento após o fato já acontecido, e pelas informações que tivemos a operação era da Polícia Civil do estado de Sergipe, onde foi entregue um corpo a unidade de saúde de Santa Luzia”, disse o coronel em áudio. (Disponível nesse link).
O tenente coronel Rômulo disse ainda que a Delegacia de Homicídios de Patos ficará com a responsabilidade de realizar a investigação por meio de um inquérito policial, verificando a existência ou não de crimes no procedimento da Polícia Civil de Sergipe.
Apelo dos familiares
Em entrevista ao Diamante Online, o pai de Gefferson, Geraldo Magela, clamou por justiça.
“Meu filho era trabalhador, educado, bastante conhecido em Cajazeiras. Ele estava sozinho de carro, estavam querendo matar mesmo, ainda pegaram ele e jogaram na porta do hospital, ele foi assassinado. É preciso que as autoridades tomem providência, abordaram um cidadão de bem e atiram sem saber nem quem é”, disse o pai, que se encontra com Covid-19.
Atualização
O delegado e os dois policiais de Sergipe, acusados da morte do empresário Geffeson Moura, durante operação na Paraíba foram soltos nessa quarta-feira (21), após decisão judicial.
Laryssa Cristiny | TV Contexto
com informações do Patos Online, ClickPB, Diamante Online e G1