
Uma paraibana foi presa em São Paulo – SP pela Polícia Civil na segunda -feira (10) suspeita de agredir seu filho de 3 anos, Gael de Freitas Nunes, até a morte.
Gael morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória dentro de casa, em um apartamento na Bela Vista, Centro de São Paulo. A mãe foi presa em flagrante pela madrugada.
Sepultamento
O corpo do menino Gael, em São Paulo, já chegou à Paraíba. De acordo com o pai, o corpo de Gael vai ser enterrado no município de Prata, na região do Cariri da Paraíba, estado das famílias dos pais da criança.
O voo com o corpo da criança chegou ao aeroporto Castro Pinto no final da tarde dessa quarta-feira (12), e foi levado para a cidade de Prata, Cariri da Paraíba, onde está sendo velado.
O velório aconteceu na casa de uma tia de Gael e o sepultamento estava previsto para acontecer às 9h da quinta-feira (13).
Andréia foi transferida para o mesmo presídio de Suzane von Richtofen
Andréia Freitas de Oliveira, suspeita de assassinar o filho foi transferida nessa quarta-feira (12/05) para a penitenciária feminina I de Tremembé (SP).
Na terça-feira (11), a Justiça de São Paulo havia decretado a prisão preventiva de Andréia. Segundo o advogado, seria solicitada a prisão domiciliar ou a transferência para um hospital psiquiátrico, além de um exame de insanidade mental.
Testemunhas contaram que a mulher teria tido um surto psicótico antes de cometer o crime e ainda teria tentado se suicidar em seguida, bebendo um produto de limpeza.
Antes de ser presa, a mãe chegou a ser encaminhada ao Hospital do Mandaqui, na Zona Norte, onde foi medicada e atendida por um psiquiatra. Apesar disso, o médico não confirmou se ela teve mesmo surto psicótico nem se tentou o suicídio.
A mulher de 37 anos deu entrada na P1 feminina por volta das 21h, após ser transferida do Centro de Detenção Provisória Feminino de Franco da Rocha.
A Penitenciária Feminina Santa Maria Eufrásia Pelletier, a P1 de Tremembé, é conhecida por abrigar presas de casos de grande repercussão, como Suzane von Richtofen, condenada a 39 anos pela morte dos pais, Ana Carolina Jatobá, condenada pela morte da enteada Isabella Nardoni e Elize Matsunaga, condenada por matar e esquartejar o marido Marcos Matsunaga.
Inicialmente, Andréia Freitas de Oliveira ficará isolada em uma cela por 15 dias por causa de protocolos contra Covid-19 e pelo período de inclusão de presos no sistema prisional. A prisão preventiva de Andreia foi decretada na terça (11/05) pela Justiça.
A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) disse que Andréia Freitas de Oliveira deu entrada nesta terça no Centro de Detenção Provisória Feminino de Franco da Rocha.
“Salientamos ainda que ela está sozinha em cela de inclusão na unidade, cumprindo quarentena, tanto por conta dos protocolos de proteção contra a Covid-19, quanto pelo período de inclusão rotineiro de quando um preso da entrada em qualquer unidade do estado”.
Segundo o advogado de defesa, ela foi transferida para o Centro de Detenção Feminina de Tremembé na noite desta terça.
Andréia nega o crime
O advogado Fábio Gomes da Costa, responsável pela defesa de Andréia disse que ela não se lembra do que aconteceu na noite do crime e que, ao ficar sabendo da morte do filho, chorou por 40 minutos.
“O primeiro contato que eu tive com ela foi hoje de manhã na delegacia. A primeira coisa que ela perguntou foi sobre o filho, eu contei sobre o ocorrido, e ela desabou a chorar, só consegui retomar a conversa com ela 40 minutos depois”, afirma Costa.
O advogado disse ainda que Andréia não assume a autoria do crime. “Ela está muito abalada e não se lembra de nada”, disse Costa.
Segundo o boletim de ocorrência, a mulher foi indiciada por homicídio qualificado por meio cruel. O documento também afirma que o menino foi socorrido e levado de ambulância para um hospital após ter sido encontrado desacordado, ferido e com parada cardíaca no apartamento .
O documento informa que Gael tinha marcas de agressões na cabeça. A 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), no Cambuci, apreendeu um anel da mãe porque, segundo os investigadores, ele é compatível com uma lesão na testa da criança.
O motivo do crime ainda é investigado pela polícia, que requisitou câmeras de segurança do prédio onde a família morava para saber se elas gravaram algo que possa contribuir para o esclarecimento do caso.
O advogado Fábio Costa, que faz a defesa da mãe, disse que “ela está em estado de choque. Não lembra de muita coisa. Ela foi questionada quando acordou e retomou a consciência. Ela disse que viu pessoas puxando ela do banheiro, e teve um desmaio. Quando acordou, já estava em um carro, com luzes, com muitas pessoas. Acredito que seja o momento em que estava o Samu ou Polícia Militar”.
Mas a delegada Camila Safe Maier Hage prendeu a mulher nesta terça-feira (11) após interrogá-la. Ela também pediu à Justiça que a mãe fique detida até seu eventual julgamento pelo assassinato do filho.
“Demonstra a crueldade com que a autora agiu em face de seu filho”, informa trecho do boletim de ocorrência do caso, que atribuiu à Justiça a decisão de realizar algum exame de insanidade mental na mulher. ” [A mulher] não está fazendo nenhum tratamento psiquiátrico e não há nenhum diagnóstico confirmado.”
Segundo policiais, a mulher foi interrogada nesta terça-feira, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) não havia informado qual foi a versão que a mulher deu para o que ocorreu com Gael.
“A dona de casa foi encontrada pelos policiais militares em estado de choque no banheiro da casa em que mora e foi socorrida ao Hospital Mandaqui. Após alta médica, a mulher foi encaminhada à 1ª DDM, onde foi ouvida e indiciada. Ela foi levada à carceragem do 89º Distrito Policial, onde aguarda audiência de custódia. A autoridade policial aguarda o resultado dos laudos periciais, que estão em elaboração, e trabalha para esclarecer todas as circunstâncias da morte da criança”.
Pai de Gael
“Ele dizendo ‘papai, eu te amo’ vai ficar sempre na minha memória”, disse Felipe Nunes, pai do menino Gael de Freitas Nunes.
O último encontro entre Felipe Nunes e o filho aconteceu no domingo (09/05), Dia das Mães. Felipe passou o fim de semana com Gael e, no final do domingo, o levou de volta para a casa da mãe.
“Quando eu fui levá-lo para passar o final do Dia das Mães com a mãe, ele me abraçou, e falou ‘papai, te amo’. É isso que vou guardar”, disse.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/Q/c/c5tdXHTBWdCoR9jcQ7qg/whatsapp-image-2021-05-11-at-10.47.27.jpeg)
Felipe Nunes trabalhava como motorista de transporte por aplicativo em São Paulo. Ele disse que optou por trabalhar como autônomo para poder ter mais tempo com o filho e participar mais dos seus cuidados.
O pai de Gael também contou como ele era uma criança doce, alegre e simpática.
“Gael era uma criança feliz e amorosa com todo mundo. Quando a gente andava na rua, ele saía abraçando todo mundo, mesmo sem conhecer. Já mostrava como ele era”, disse.
Felipe também disse que nunca imaginou que a ex-esposa, pudesse fazer algo contra o filho, pois sempre demonstrou ser amorosa com ele.
“Eu espero que a justiça seja feita, caso ela tenha feito alguma coisa contra ele, que eu acredito que sim, mas não posso julgar. Espero que ela pague pela monstruosidade que ela fez com o filho dela. Na minha frente e na frente do ex-marido dela, ela sempre foi uma mãe carinhosa”, relatou.
Felipe também contou que Gael era a realização de um sonho. “O grande sonho da minha vida era ter um filho. Ela me deu, e três anos depois ela me tirou”.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/Q/D/iHTrKqR2yOoPLBGtBvUA/whatsapp-image-2021-05-11-at-10.47.18.jpeg)
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/J/r/AZmQR6TQaPAsvBHtOE0g/whatsapp-image-2021-05-11-at-10.47.11.jpeg)
Quarto da criança
Segundo os peritos que estiveram no apartamento logo depois do crime, o quarto de Gael era o único que não tinha uma cama, apenas um colchão velho no chão, diferentemente dos outros cômodos da casa. Também foi notado que não havia nenhum brinquedo na casa, todos estavam ensacados em um canto na área de serviço.
Em depoimento, a tia-avó de Gael informou que a criança tinha o costume de dormir com ela ou no quarto da mãe. Sobre os brinquedos, ela disse que não sabia que eles estavam ensacados.
Depoimento da tia-avó
No boletim de ocorrência, a tia-avó informou que deu mamadeira para a criança por volta das 7h e as duas ficaram na sala assistindo à televisão. Após alguns minutos, o garoto foi até a cozinha. A tia-avó disse que começou a ouvir choros, mas achou que ele estava apenas pedindo colo para a mãe.
Cerca de cinco minutos depois, ela começou a ouvir barulhos fortes de batidas na parede e acreditou que viriam de outro apartamento. Após dez minutos, ela passou a ouvir o barulho de vidro quebrando na cozinha e, quando chegou ao cômodo, a criança estava deitada no chão com vômito e coberta por uma toalha de mesa.
A tia-avó disse que perguntou à mãe o que teria acontecido, mas ela não respondeu. Então ela afirmou que pediu ajuda à irmã do menino, que ligou para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Após a chegada dos socorristas, a criança foi levada até a Santa Casa em parada cardiorrespiratória, mas morreu no hospital.
Ainda segundo a tia-avó, a mãe do garoto já foi internada outras vezes. A tia não soube dizer, no entanto, se as internações foram por motivos psiquiátricos.
“Mas se recorda que o motivo das internações era devido ela ter ficado muito nervosa e que tais problemas surgiram após ela ter tomado remédios para emagrecer, acreditando que a última internação ocorreu há cerca de sete anos”, informa trecho do boletim de ocorrência do caso sobre o relato da tia-avó a respeito da mãe de Gael.
O tio de Gael, Reumir Freitas, também tenta entender o que teria ocorrido no apartamento.
“Talvez um descontrole emocional, talvez um surto, então fica para os médicos, para profissionais do processo apuraram qual a verdade”, disse.
Mãe não respondia a perguntas de médico
O médico do Samu que fez o atendimento da criança no local, Washington Canedo, contou que tentou falar com a mãe de Gael para saber o que tinha acontecido, mas ela também não respondeu.
“A mãe, o tempo inteiro, encontrava-se na cozinha. Nossa equipe tentou diversas vezes coletar informação, mas acho que devido ao trauma, ao choque, à situação toda, ela não estava responsiva. Quem nos dava informação era somente a avó e a irmã menor de idade”, afirmou na noite de segunda-feira.
Em nota, a Santa Casa informou que a criança chegou ao hospital “em processo de reanimação pela equipe do SAMU e permaneceu em reanimação pela equipe médica do hospital, sendo constatado óbito na sequência”.
Como aconteceu a morte de Gael?
A tia avó da criança e a irmã mais velha estavam na casa no momento do crime. A tia avó contou para a polícia que a criança foi até a cozinha, onde estava a mãe. Ela então ouviu um choro e o chamou de volta, mas a mãe afirmou que não precisava.
Em seguida, ela disse ouvir barulhos de várias pancadas, seguidas do som de vidro quebrado. Ao chegar à cozinha ela encontrou o menino caído no chão, coberto por uma toalha de mesa. Ela então o levou para o quarto e acionou o Samu, que a orientou nos primeiros socorros por telefone. Segundo ela, Andréia estava em estado de choque, sem falar nada.
Ao chegar ao local, a equipe tentou coletar informações sobre as agressões, mas apenas a tia avó e a irmã mais velha da criança forneciam informações sobre o caso.
Conforme o médico que prestou atendimento e a polícia, a mãe da criança aparentava estar em um surto psicótico. Ela foi encaminhada até o Hospital do Mandaqui, na Zona Norte, para ser medicada, na manhã de segunda-feira. Familiares afirmaram que ela era uma boa mãe e que pode realmente ter tido um surto.
A morte da criança foi constatada após a Polícia Militar, que foi acionada pelo SAMU chegou ao local do crime. Gael foi encontrado com ferimentos e diversos hematomas pelo corpo.
Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) levou o menino à Santa Casa de São Paulo, mas ele não resistiu aos ferimentos.
A mulher prestou depoimento na 1º Delegacia de Defesa da Mulher no Cambuci, por volta da meia-noite e às 5h30 foi levada para o 89ºDP, no Portal do Morumbi, que tem uma carceragem feminina. O teor do depoimento não foi divulgado.
Pais de Gael são paraibanos
Ambos os pais da criança são naturais da Paraíba. Ela é natural do município de Prata, no Cariri paraibano, e deixou a cidade há três anos com o filho e o marido para morar em São Paulo.