Governo Lula tem afundado sem apoio do Congresso e medidas fracas impopulares

Discussão e Votação de Propostas Legislativas. Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (REPUBLICANOS – PB)

A derrota do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) proposto pelo Governo Federal no dia 25 de junho, tem sido a descida mais íngreme do desgaste do Governo Lula. A pauta foi votada pelas duas casas de surpresa para o Executivo, sem o costumeiro aviso prévio para articulação, e ainda por cima, amargou forte rejeição do Congresso.

Desde então o Governo tem se desgastado na mais na tentativa de justificar a pauta e com a possibilidade de judicialização no STF, em um clara tentativa de passar por cima da decisão política Congresso.

Para o Governo, a pauta tinha sido acorda em um encontro com beijos e abraços pra lá de positivos, e a votação sem aviso prévio na quarta não passou de uma punhalada pelas costas provocada por Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados.

Quem conhece bem o clã dos Motta sabe que não há ponto sem nó nos passos políticos. As decisões são muito bem pensadas e articuladas polo grupo. Nada foi pensado de última hora e articulado do nada com Alcolumbre.

Aqui se faz necessário relembrar os acontecimentos importante da última década da política em Patos. O presidente tem grande afinidade com os membros da direita e a velha guarda que se uniu para retirar a ex-presidente Dilma Roussef do poder, por exemplo, Eduardo Cunha. Na época, então presidente da Câmara dos Deputados, Cunha foi quem abriu o processo de impeachment de Dilma em 2016, que acabou afastando a petista.

Motta e Cunha
Em 2016, Danielle Dytz da Cunha Doctorovich, filha do então presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, esteve em Patos (PB) participando do São João de Patos. Ela inclusive ficou hospedada na casa da avó Francisca Motta, que na época era prefeita da cidade. Francisca foi afastada no mesmo ano, no dia 9 de setembro, duração a Operação Veiculação, juntamente com os prefeitos Renê Trigueiro Caroca (São José de Espinharas) e José William Segundo Madruga (Emas), bem como sua filha, também mãe de Hugo Motta, Ilanna Motta, chefe de gabinete da Prefeitura de Patos.

Renê, Segundo Madruga e Ilanna foram presos. Os dois primeiros ficaram detidos temporariamente por cinco dias e depois foram soltos, enquanto Ilanna, esposa de Renê, passou a cumprir prisão domiciliar.

A Operação Veiculação investigou supostas irregularidades em licitações e contratos públicos, em especial no direcionamento de procedimentos licitatórios e superfaturamento de contratos, em razão de serviços de locação de veículos, realizados pelas prefeituras municipais de Patos, Emas e São José de Espinharas.

Após seis anos de tramitação, no dia 9 de setembro de 2022, o juiz Kleiton Alves Ferreira julgou improcedente as acusações e extinguiu o processo movido pelo Ministério Público Federal contra Francisca Motta, sua filha Illana Motta, e outras sete pessoas, por improbidade administrativa. Francisca retornou ao legislativo estadual em  2023, pela sexta vez na casa.

A relação entre Motta e Cunha era estreita. Cunha foi quem, durante o seu cargo na presidência, impôs o nome de Motta para ocupar a presidência da CPI da Petrobras. Cunha também chegou a tentar eleger Motta como líder da bancada na Câmara na época.

Motta, Bolsonaro e Cia.
Não é de hoje que a sinalização de apoio a anistia para Bolsonaro e companhia. A relação entre o presidente da Câmara e o ex-presidente também é estreita.

Nas últimas eleições presidenciais, nos bastidores de Patos, Hugo pediu apoio à candidatura de Bolsonaro, sem que pudesse se comprometer se posicionando de um lado.

No dia 7 de fevereiro, em entrevista à rádio Arapuan FM da Paraíba, Motta criticou o prazo de oito anos de inelegibilidade previsto na Lei da Ficha Limpa – caso do ex-presidente – e afirmou que o 8 de janeiro não foi uma tentativa de golpe de Estado.

“O que aconteceu não pode ser admitido que aconteça novamente. Foi uma agressão às instituições, agora, querer dizer que foi um golpe? Um golpe tem que ter um líder, tem que ter uma pessoa estimulando, apoio de outras instituições interessadas, como as Forças Armadas e não teve isso”, afirmou o parlamentar.

A expectativa é de que a pauta da Anistia seja analisada pelo Congresso antes do recesso, que começa no dia 18 de junho e acaba em 1° de agosto. Um projeto está sendo traçado pelos presidentes das duas casas, de modo a agradar à ala do PL e que não entre em confronto direto com o STF, evitando o desgaste. Bolsonaro e seu grupo não estaria a par dos detalhes contidos na proposta.

Outro de dentro do Republicanos, que tem pressionado pelo andamento da pauta, é o governador de São Paulo, Tarcísio Freitas. Nome forte dentro do partido e com projeção para substituir Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2026. O governador conta com o apoio o presidente da Câmara.

No dia 30 de junho, após as festividades juninas, Hugo se reuniu com o prefeito Ricardo Nunes, o ex-Ministro da Fazenda Henrique Meirelles e outras figuras políticas e do setor empresarial, dentre elas, João Doria. Motta teria tentado passar o ar de normalidade entre as casas e o Planalto em meio ao clima de tensão.

Nesse tabuleiro, duas coisas são certas: a primeira é que o Governo Lula está chegando ao seu fim, sem governabilidade ou qualquer chance de articulação  das pautas, ou até mesmo, de ganhar em 2026; a segunda é de que Motta sabe o que faz com a articulação dos bastidores para fortalecer o seu nome e ainda manter próximo o clã bolsonarista, com que tem grande afinidade. O Congresso sabe que o Governo não tem poder em dias atuais.

A mira de Motta tem sido o fortalecimento do nome no estado, onde tem a possibilidade de disputar o Governo do Estado em um futuro próximo. Na Paraíba, ele já é quem decide o caminho da situação, e deve bater o martelo quanto ao nome que irá disputar com o seu apoio e todo o bloco político.

Ray Santana | Contexto News
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