
A voltação no Senado para a indicação da vaga de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) desencadeou uma crise sem precendentes dentro do Governo Lula. O esforço foi tão grande e anormal que provocou uma união única e “multipartidária” entre o presidente do Senado Davi Alcolumbre (União Brasil/AP), o minsitro do STF Alexandre de Moraes e o deputado pré-candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL).
A articulação caiu como uma bomba no Governo, demonstrando a sua falta de apoio no Senado, e bem mais, a de aliados confiáveis. Com isso, o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias (Advogado-Geral da União) para o STF por 42 votos a 34. Uma votação com margem bem maior do que a estava prevista para vencer a indicação.
Davi Alcolumbre não havia gostado da indicação do Jorge Messias ao STF. O senador preferia o nome do ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Mesmo diante de o senador psdebista afirmar que a hipótese de sua indicassão não havia “nenhuma possibilidade”. Mas também fazia parte do jogo estratégico de Alcolumbre para sinalizar com os pares da Casa, que cobravam medidas enérgicas contra os ministros e também com Flávio Bolsonaro (PL), com quem já se conta com o pé dentro do Planalto.
O ministro Alexandre de Moraes entra no jogo por não ter recebido bem o nome do Messias. Moraes e Flavio Dino teriam se articulado nos bastidores para derrotar o advogado-geral da União. Os ministros negam que tem participado do movimento.
O caso é que ao se aliar com o ministro André Mendonça para conquistar votos dos senadores bolsonaristas, Messias deu a enteder que poderia formar base com Mendonça em decisões importantes, como a do Caso Master. Chegou incluive a afirmar que não iria encobrir sujeiras dos pares. A linha não agradou dentro do Supremo.
Outro fator envolvendo o Caso Master é que expectativa sobre delações envolvendo o banco e o possível comprometimento de nomes do Centrão gerou um ambiente de apreensão e descontentamento com o governo. Isso deu base a Alcolumbre para se unir ao Centrão em uma pauta comum que querem manter distante.
Mas voltando para Alexandre de Moraes, com o acordo o ministro não deixa de estar na linha dos pedidos de impeachment. O que acontece é que ministro pularia uma casa na fila, e Dias Toffoli lidera a lista, sendo sarificado no acordo. Toffoli é o mais exposto na conexão com Vorcaro.
Onde entra Flávio Bolsonaro?
Pelo caminho à rampa do Palácio do Planalto alguns acordos precisam ser firmados. E uma aliança com Moraes, não propriamente estabeleciada entre os dois, mas por sinergia, mesmo que momentânea foi necessária nesse processo.
O pré-candidato já estava com o caminho meio andado liderando a oposição contra as pautas do Governo, e essa foi uma oportunidade para ganhar corpo em uma pauta contra o SFT para sinalizar o que está por vir em 2027.
Entre as prioridades de Morais: Caso Master, com o contrato de R$ 70 milhões com a esposa do ministro; e a possibilidade de impeachment. Obviamente o primeiro é mais fácil de controlar por vez, e isso teria resultado na aliança pouco improvável.
A situação, além de difícil, ainda mostrou que o Governo tem pouca ou nenhuma articulação forte dentro do Congresso Nacional, e interlocutores já declaram como o fim do Governo Lula 3.
Ray Santana | Contexto News
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