Um bebê recém-nascido encontrado abandonado entre as paredes de duas residências no distrito de Cupissura, entre os municípios de Caaporã e Alhandra, no Litoral Sul da Paraíba, morreu na noite desta terça-feira (19), após sofrer cerca de nove paradas cardíacas.
A criança havia sido socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada em estado grave ao Hospital de Trauma de João Pessoa. A Polícia Civil investiga o caso como infanticídio consumado após a confissão da mãe da criança.
De acordo com as informações, o recém-nascido foi encontrado ainda ligado ao cordão umbilical e à placenta. O bebê chegou à unidade hospitalar em estado crítico, apresentando alto grau de debilitação, politraumatismo e risco iminente de morte.
O diretor-geral do Hospital Edson Ramalho, Aluízio Lopes, informou que a equipe da UTI Neonatal realizou todos os esforços para estabilizar o quadro clínico da criança. Segundo ele, o bebê chegou à unidade com 1,5 kg e 35 centímetros, características compatíveis com um prematuro de aproximadamente 30 semanas.
“Uma paciente grave e que já estava em risco iminente de morte, além de que é um paciente com um politraumatismo, recém nascido, que já estava com outras lesões”, afirmou o diretor-geral em entrevista.
Ainda conforme as informações médicas, o cordão umbilical ligado à placenta teria agravado a situação da criança, facilitando a perda de sangue. O recém-nascido também apresentava uma lesão na cabeça, que precisou ser suturada durante o atendimento para a estabilização.
Mesmo com os procedimentos de emergência, o bebê sofreu cerca de nove paradas cardíacas ao longo da internação e morreu por volta das 23h18 da terça-feira (19).
A família chegou a comparecer à unidade hospitalar acompanhada do suposto pai da criança, que se identificou na unidade de saúde, mas não permaneceu durante toda a internação.
O corpo do recém-nascido será encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), responsável pela emissão do laudo que apontará a causa da morte.
Polícia Investiga Caso
A Polícia Civil esteve no local onde o bebê foi encontrado, ouviu testemunhas e conduziu algumas mulheres para exames médicos. Segundo a investigação, foi constatado que uma delas havia passado por parto recentemente.
A adolescente foi levada à delegacia e inicialmente negou envolvimento no caso. Posteriormente, acompanhada da mãe, confessou ser a mãe da criança e autora do abandono.
“Com o falecimento da criança, o fato é encarado a partir desse momento como infanticídio consumado. A adolescente está passando por procedimentos ginecológicos e assim que tiver alta será encaminhadas a carceragem da cidade da Polícia Civil de João Pessoa. Depois disso será encaminhada presencialmente ao Ministério Público e ao Poder Judiciário”, explicou o delegado Edernei Hass.
Ray Santana | Contexto News

