
Em 1888, a elite agrária escravocrata brasileira sustentava que o fim imediato da escravidão levaria o país ao colapso econômico. Hoje, parte dessa mesma elite argumenta que quatro horas a menos na jornada semanal do trabalhador gerariam enormes custos para as empresas, “viciariam” trabalhadores em jogos ou fariam com que buscassem uma segunda ocupação para complementar a renda.
É um discurso travestido de preocupação.
Foi assim também com a PEC das empregadas domésticas. Diziam que ela aumentaria a informalidade, criaria burocracias, impactaria o orçamento familiar — especialmente dos mais ricos que mantêm empregados domésticos — e geraria insegurança jurídica para os empregadores.
A história mostra que toda conquista trabalhista enfrentou resistência daqueles que sempre lucraram com jornadas exaustivas, baixos salários e relações desiguais de trabalho.
Importante salientar que, nessa votação sobre o fim da escala 6×1, o que menos importa é o trabalhador. Assim como em tantos outros momentos, ele segue sendo secundário.
Deputados — e, posteriormente, senadores — utilizam a PEC como palanque eleitoral e pauta de conteúdo, como se algo além de votos realmente importasse neste ano.
Votar contra a proposta, ou defender uma jornada de 55 horas semanais — como chegou a ser sugerido pelo PL — seria um tiro no pé.
Além disso, surgem as falácias mais absurdas para barrar a proposta, algo que a história já mostrou diversas vezes.
Quem se opõe à mudança não está pensando no trabalhador. Está preocupado, sobretudo, com a preservação dos próprios privilégios e lucros.
Ray Santana | Contexto News
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