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Internacional Política

Lula chama tarifa dos EUA no estreito de Hormuz de “pirataria” e critica medida anunciada por Trump

Presidente afirmou que cobrança sobre cargas é antidemocrática e defendeu biocombustíveis como alternativa para reduzir a dependência de combustíveis fósseis

13/07/2026 15h04
Por: Ray Santana
Lula chama tarifa dos EUA no estreito de Hormuz de “pirataria” e critica medida anunciada por Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta segunda-feira (13), a decisão anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de cobrar uma tarifa de 20% sobre toda a carga que passar por determinada rota. Durante visita ao Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), em São Caetano do Sul (SP), Lula classificou a medida como "pirataria" e afirmou que a cobrança contraria princípios democráticos e civilizatórios.

A declaração foi feita após o presidente visitar laboratórios de pesquisa em etanol e biodiesel do IMT, onde também defendeu o fortalecimento dos combustíveis renováveis como estratégia para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.

Ao comentar a medida anunciada por Trump, Lula afirmou que a cobrança representa uma prática incompatível com a postura histórica dos Estados Unidos.

"Antigamente isso se chamava de pirataria. Um Estado importante como os Estados Unidos, que eu acho que durante muito tempo combateu a pirataria, não pode fazer pirataria. Ele não tem que cobrar", declarou.

O presidente também afirmou que o cenário internacional tem provocado impactos econômicos e criticou o aumento das tensões comerciais.

"É muito delicado a gente perceber que os Estados Unidos promovem uma guerra e agora começam a cobrar. Não é comum, não é normal, não é democrático, não é civilizatório", disse.

Durante o discurso, Lula justificou o aumento de 12% sobre a exportação do petróleo bruto como uma medida para evitar impactos internos nos preços dos alimentos.

"Que o preço do feijão não suba por causa da guerra do senhor Trump."

Ao abordar a política energética, o presidente defendeu uma transição gradual para combustíveis renováveis, preservando, ao mesmo tempo, a exploração do petróleo.

"A gente pode se livrar do combustível fóssil com o tempo. A gente não vai jogar fora porque é uma riqueza desse país, mas a gente pode ir preparando a sociedade para viver com o combustível renovável."

Antes do pronunciamento oficial, Lula conversou com pesquisadores do Instituto Mauá de Tecnologia e afirmou que o Brasil deve ampliar sua atuação internacional na defesa dos biocombustíveis.

"Nós precisamos, então, ser mais desaforados. Falar mais grosso. Se apresentar em todos os fóruns possíveis, porque essa é uma briga que a gente não só pode ganhar, como a gente deve ganhar."

O presidente também afirmou que Donald Trump "não acredita nessa questão climática" e defendeu que o Brasil demonstre estar preparado para contribuir com soluções voltadas à redução das emissões e à transição energética.