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Geral Avanço na Obra

Estação ferroviária é alvo de reforma

Obra visa transformar edifício histórico em um equipamento cultural, abrigando museu tecnológico e cafeteria-escola

28/10/2026 18h00
Por: Redação Fonte: A União
Foto: Mirvan Lúcio
Foto: Mirvan Lúcio

Um prédio histórico, marco do desenvolvimento econômico no Sertão da Paraíba, está sendo reformado após anos de abandono. A Estação Ferroviária de Patos passa por um processo de reestruturação, com a finalidade de recuperar a edificação e transformá-la em um equipamento cultural. A revitalização é conduzida pelo Sistema Fecomércio, pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), após uma parceria firmada com a administração municipal. A obra é orçada em R$ 1,397 milhão.

Tombada tanto pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) quanto pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep), a edificação abrigará um museu tecnológico, que contará sua própria história dentro do contexto das ferrovias na Paraíba. Para a montagem do acervo, estão sendo garimpados documentos e objetos da época junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e à Ferrovia Transnordestina Logística (FTL), além de outros itens que já existem em Patos. O espaço também será destinado ao ensino profissionalizante, por meio de uma cafeteria-escola, que funcionará como campo prático para os alunos em formação no Senac.

“O projeto foi desenvolvido todo em parceria com o Iphan, adequando as nossas necessidades para desenvolver esses projetos do museu e do café, com todas as regras e os padrões que a gente tem que seguir, exigidos pelo órgão, para que se possa preservar o bem”, explicou Juliana Fernandes, diretora regional do Sesc na Paraíba. Além de gerir o serviço, Juliana também é arquiteta e responde pelo desenvolvimento do projeto de recuperação da estação.

Toda a parte externa do prédio foi conservada, mantendo os traços históricos. Internamente, algumas paredes precisaram ser demolidas, mas o projeto manterá sua demarcação, apontando como era a estrutura original. Os pisos não serão trocados, permanecendo o revestimento original, que faz parte da história desde a sua criação. “Vamos implantar alguns recursos de acessibilidade, mas preservando o máximo possível das características históricas existentes. É de suma importância a gente preservar o passado para entender até onde a gente chegou”, afirmou Juliana.

Embora não haja ainda uma previsão para inauguração, a direção do Sesc considera a obra já bastante avançada, com cerca de 70% do trabalho concluído. “A gente vai iniciar a fase de um acabamento mais refinado”, detalhou a arquiteta. Além do prédio, o Sesc também fará a revitalização do espaço urbano que fica entre a estação e o Senac, as quais são edificações vizinhas, com a implementação de áreas de convivência e paisagismo.

Já a recuperação do trecho onde estão os trilhos de trem é de responsabilidade de um shopping, situado às margens da ferrovia. A empresa responsável pelo centro comercial assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Iphan, vinculado à contrapartida de requalificação do entorno da estação.

Rotas antigas

Inaugurada em 19 de abril de 1944, a antiga estação estava ligada ao ramal da linha férrea de Campina Grande. Posteriormente, os trilhos ligaram-se às estações de Pombal, inaugurada em 1932, e de Sousa, existente desde 1926. Esse processo foi essencial para interligar os estados da Paraíba, Pernambuco e Ceará, firmando-se como uma importante rota para escoamento de produtos e transporte de pessoas.

Em 1980, as viagens com passageiros foram interrompidas, permanecendo apenas o transporte de carga, que perdurou até 2005. Depois disso, o prédio passou por um longo período de esquecimento, sem uso, mal iluminado e entregue à deterioração. O seu entorno foi ocupado por pessoas em situação de rua e, por muito tempo, o local foi considerado perigoso para circulação, mesmo estando situado em plena região central da cidade.

Mirvan Lúcio - A União
*matéria originalmente veiculada na página 5 do Jornal A União