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Política Eleições 2026

Republicanos anuncia neutralidade na disputa pela Presidência e frustra estratégia do PL

Decisão foi aprovada em convenção nacional e preserva autonomia dos diretórios estaduais para firmar alianças locais

04/08/2026 13h25
Por: Ray Santana
Republicanos anuncia neutralidade na disputa pela Presidência e frustra estratégia do PL

O Partido Republicanos anunciou, nesta terça-feira (4), que permanecerá neutro na disputa pela Presidência da República nas eleições deste ano. A decisão foi oficializada durante a convenção nacional da legenda, em Brasília, após consulta aos diretórios estaduais, e representa um revés para a estratégia do PL de ampliar o apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Segundo o presidente nacional do Republicanos, a posição foi construída após ouvir representantes da legenda em todo o país. Ainda na noite da segunda-feira (3), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, foi comunicado da decisão.

Em nota, o Republicanos informou que a deliberação foi resultado de um processo coletivo, levando em consideração o crescimento do partido nos estados, além das diferentes alianças e cenários políticos regionais.

"A posição de independência na disputa presidencial não representa ausência de princípios nem de posicionamento político", afirmou a legenda. Segundo o partido, a medida busca preservar a autonomia das lideranças estaduais e manter a unidade interna.

A neutralidade segue o mesmo caminho adotado pela federação União Brasil-Progressistas e dificulta os planos da campanha de Flávio Bolsonaro, que buscava ampliar sua coligação nacional e ainda não definiu um candidato a vice-presidente.

Nos bastidores, a discussão sobre o posicionamento do Republicanos vinha ocorrendo há semanas. De acordo com apuração do g1 e da GloboNews, o presidente nacional da legenda, deputado Marcos Pereira (SP), informou à campanha de Flávio Bolsonaro que a maioria dos diretórios estaduais defendia a independência na disputa presidencial.

Conforme Marcos Pereira, 17 dos 27 diretórios estaduais manifestaram apoio à neutralidade. Outros nove defenderam a aliança com Flávio Bolsonaro, enquanto um diretório declarou preferência pela candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Apesar da decisão nacional, o Republicanos esclareceu que os diretórios estaduais e as lideranças regionais terão liberdade para construir alianças nos respectivos estados.

Em São Paulo, por exemplo, dirigentes da legenda já manifestaram apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, mesmo sem uma aliança nacional formal entre os partidos.

O debate interno refletiu as diferentes posições existentes dentro da sigla. Enquanto lideranças das regiões Sul e Sudeste defendiam uma aproximação com o PL, dirigentes do Nordeste e integrantes influentes do partido trabalhavam pela manutenção da neutralidade.

Entre os nomes apontados nos bastidores como defensores da independência partidária estão o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.

Na nota divulgada após a convenção, o Republicanos reafirmou que continuará defendendo pautas como responsabilidade fiscal, fortalecimento das instituições, segurança jurídica e desenvolvimento econômico. A legenda também destacou que sua prioridade será ampliar a representação na Câmara dos Deputados e no Senado Federal nas eleições deste ano.