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Política Brasília

PT anuncia apoio à reeleição de Hugo Motta na Câmara; paraibano reúne apoio de partidos que somam 361 deputados

Federação PT-PCdoB-PV confirmou apoio unânime à recondução do presidente da Câmara em 2027; eleição para a Mesa Diretora acontecerá em 1º de fevereiro

28/10/2026 07h55
Por: Ray Santana
PT anuncia apoio à reeleição de Hugo Motta na Câmara; paraibano reúne apoio de partidos que somam 361 deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), recebeu nesta terça-feira (27) o apoio oficial da federação formada por PT, PCdoB e PV à sua candidatura à reeleição para o comando da Casa em 2027. O anúncio foi feito pelo líder da federação, deputado Pedro Uczai (PT-SC), após reunião com o parlamentar paraibano. Com a adesão, os partidos que já declararam apoio a Motta somam 361 dos 513 deputados eleitos para a próxima legislatura.

A federação PT-PCdoB-PV terá 88 parlamentares a partir de fevereiro de 2027, formando a segunda maior bancada da Câmara. Serão 70 deputados do PT, 11 do PCdoB e sete do PV.

Segundo Pedro Uczai, a decisão foi tomada por unanimidade e considera o cenário político após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no último domingo (25).

O parlamentar afirmou que a formação de uma ampla aliança em torno de Hugo Motta busca garantir "não só a governabilidade, mas [também] avançar a pauta que o Brasil pediu nas ruas, dos milhões de brasileiros que foram para as ruas pedir mudanças".

PT defende aliança com partidos de centro

Durante o anúncio, Pedro Uczai destacou que o apoio à candidatura de Motta faz parte de uma estratégia de aproximação entre os partidos de esquerda e as legendas de centro para a próxima legislatura.

"O campo da esquerda compõe com o bloco do centro para discutir o espaço prático aqui dentro da casa para garantir que a pauta avance", afirmou.

A federação pretende negociar a inclusão de propostas consideradas prioritárias pelos três partidos na agenda legislativa, além de colaborar com o governo federal.

"Tem pautas importantes das mulheres, tem pautas importantes da soberania nacional, da democracia, de direitos sociais históricos, direitos culturais", enumerou Uczai.

O deputado também defendeu que a composição política permita estabelecer uma maioria parlamentar alinhada a determinadas pautas do governo Lula, mantendo as diferenças entre os partidos integrantes da aliança.

"Entendemos que esse bloco do centro, conosco, é compatível com a pauta da democracia do último domingo e não é compatível com a extrema direita. (...) A extrema-direita não tem compatibilidade com a nossa pauta e com a pauta do governo presidente Lula", declarou.

Hugo Motta amplia base de apoio para 2027

Antes da adesão da federação PT-PCdoB-PV, Hugo Motta já havia recebido apoio de partidos de centro e de outras legendas que participarão da próxima legislatura.

Em 14 de outubro, dez partidos formalizaram apoio à continuidade de Motta na presidência da Câmara. O grupo reúne União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, Podemos e as federações PSDB-Cidadania e Solidariedade-PRD.

Juntas, essas legendas terão 252 deputados a partir de fevereiro de 2027.

Na última semana, PSB e PDT também anunciaram apoio à candidatura do parlamentar paraibano. As siglas terão, respectivamente, 15 e seis deputados na próxima composição da Câmara.

Com a adesão da federação liderada pelo PT, o conjunto de partidos que manifestaram apoio à recondução de Hugo Motta passou a representar 361 parlamentares.

O número supera os 257 votos necessários para uma eleição em primeiro turno, caso todos os 513 deputados participem e votem validamente. Entretanto, como a votação é secreta, as declarações de apoio partidário não garantem que todos os integrantes das bancadas votarão no mesmo candidato.

Eleição será realizada em 1º de fevereiro

A eleição para a presidência da Câmara dos Deputados está marcada para 1º de fevereiro de 2027, após a posse dos parlamentares eleitos em outubro.

Na ocasião, os deputados escolherão o presidente, dois vice-presidentes, quatro secretários e os respectivos suplentes, que integrarão a Mesa Diretora por um mandato de dois anos.

A votação será secreta, por meio de sistema eletrônico. Para vencer em primeiro turno, o candidato deverá conquistar a maioria absoluta dos votos, observadas as regras de participação e validade da votação.

Caso nenhum concorrente alcance a quantidade necessária, os dois mais votados disputarão um segundo turno, decidido por maioria simples.

Além da presidência, os partidos e blocos parlamentares negociarão a distribuição dos demais cargos da Mesa Diretora, considerando a representatividade de suas bancadas.

A definição da presidência ocorrerá antes da apuração dos votos para os outros cargos, e o eleito assumirá o comando da Câmara imediatamente após a proclamação do resultado.

Ray Santana | Contexto News