O senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos após ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). A informação foi divulgada nesta terça-feira (27) pela agência internacional Reuters, com base em relatos de duas fontes ouvidas pela reportagem.
Segundo a agência, a saída do país ocorreu após o senador deixar de cumprir uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar seus passaportes no prazo de 24 horas, estabelecido na segunda-feira (26).
A medida judicial estaria relacionada a uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro. Flávio Bolsonaro nega ter cometido qualquer irregularidade.
De acordo com outras duas fontes consultadas pela Reuters, o prazo para a entrega dos documentos expirou, o que teria provocado o cancelamento dos passaportes do parlamentar.
Um alto funcionário da Polícia Federal -afirmou à Reuters que Flávio Bolsonaro não deixou o território nacional por nenhum ponto regular de controle migratório.
A informação levanta questionamentos sobre as circunstâncias da saída do senador, que ainda não foram esclarecidas oficialmente.
Procurados pela agência, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil não respondeu imediatamente ao pedido de comentário, enquanto o advogado de Flávio Bolsonaro se recusou a comentar o caso.
Após o resultado das eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro não reconheceu oficialmente a vitória de Lula.
No domingo (25), o senador afirmou que buscaria a anulação do resultado eleitoral, alegando supostas irregularidades na votação. As alegações, no entanto, não foram acompanhadas, no relato apresentado, de comprovação das irregularidades.
Na segunda-feira (26), o Partido Liberal (PL), legenda de Flávio Bolsonaro, declarou reconhecer a vitória de Lula.
O influenciador Paulo Figueiredo, apontado pela Reuters como uma espécie de porta-voz informal da família Bolsonaro, recusou-se a responder perguntas sobre o paradeiro do senador.
"Após meses de trabalho intenso que foi injustamente frustrado, não estou com vontade de falar com a imprensa", disse ele em uma mensagem. "Se eu tiver algum comentário a fazer sobre qualquer assunto, entrarei em contato."
Antes da votação, Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio que vive nos Estados Unidos, havia defendido que o senador deixasse o Brasil em caso de derrota eleitoral.
"Se meu irmão não ganhar, sou a favor de que ele deixe o país", disse ele ao podcaster Steven Crowder neste mês.
A Reuters também relembrou que o ex-presidente Jair Bolsonaro viajou aos Estados Unidos após as eleições de 2022, quando foi derrotado por Lula. Posteriormente, retornou ao Brasil e foi condenado a 27 anos de prisão por envolvimento em uma conspiração para um golpe de Estado.
Até a publicação das informações pela agência, não havia manifestação pública de Flávio Bolsonaro esclarecendo sua localização ou as circunstâncias de sua saída do país.
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